Você pode estar demitindo um talento por avaliar errado e não por falta de performance

Empresas não perdem talentos apenas por falta de potencial, muitas vezes, perdem por falta de avaliação do cenário.

E o mais preocupante: sem perceber.

Agora deixa eu te fazer uma pergunta:

Quantas vezes você já avaliou alguém como “não performa” sem questionar se essa pessoa estava no lugar certo?

Por isso, olhar apenas para o resultado, sem considerar o cenário que sustenta esse resultado, pode levar a uma leitura incompleta.

E é exatamente aí que a empresa pode começar a descartar bons profissionais sem perceber

Um caso real: quando o problema parecia performance, mas era decisão

Há alguns meses, uma CEO de uma empresa contábil me procurou com uma decisão praticamente tomada:

“Ela é esforçada, mas não performa. Já tentamos de tudo.”

A colaboradora atuava no setor contábil, mas os resultados não vinham.

Até aqui, parecia mais um cenário comum.

No entanto, havia um detalhe que mudava tudo:

ela tinha acabado de aceitar uma transição para o setor comercial dentro da mesma empresa.

Quando aprofundei a análise, por meio de uma conversa direcionada e da Avaliação de Perfil, o cenário ficou muito mais claro:

  • Alta capacidade de comunicação;
  • Facilidade na construção de relacionamentos;
  • Perfil voltado para vendas consultivas;
  • Baixa aderência a rotinas predominantemente técnicas e analíticas.

Ela não era uma profissional sem capacidade de performar, ela estava há mais de um ano em uma função pouco aderente ao seu perfil.

E a reação da CEO durante a devolutiva foi imediata: “Agora tudo faz sentido.”

Desempenho e potencial não são a mesma coisa

Esse é um dos erros mais comuns e mais caros dentro das empresas.

O desempenho mostra aquilo que a pessoa está conseguindo entregar naquele momento.

O potencial ajuda a compreender o que ela pode desenvolver e entregar quando suas características, competências e ambiente estão mais alinhados.

Por isso, quando essa diferença não é considerada, a empresa passa a tomar decisões importantes a partir de uma leitura incompleta

E é aí que bons profissionais podem ser descartados não por falta de capacidade, mas por falta de aderência ao cenário em que atuam.

O custo de avaliar apenas o que é visível

A Gallup mostra que profissionais que conseguem utilizar seus pontos fortes diariamente apresentam níveis significativamente maiores de engajamento e desempenho, além de menor probabilidade de deixar a organização.

Isso reforça um ponto importante: o resultado de uma pessoa não depende apenas de suas características individuais, mas também de quanto o ambiente e a função permitem que utilize o seu potencial total.

Na prática, uma avaliação incompleta pode resultar em:

  • Desligamentos que poderiam ser evitados
  • Baixa performance recorrente
  • Retrabalho para a liderança
  • Perda de profissionais que poderiam gerar resultados em outra função.

Além disso, quando situações como essas se repetem, talvez seja necessário questionar não apenas o profissional, mas também os critérios utilizados pela empresa para avaliar as pessoas.

O problema nem sempre está apenas na pessoa

Existe uma tendência perigosa nas empresas: atribuir rapidamente o problema ao indivíduo antes de questionar a situação.

Mas, em alguns casos, a dificuldade pode estar relacionada a:

  • Como a função foi desenhada
  • Como o perfil foi avaliado
  • Os critérios utilizados na decisão de alocação
  • Ausência de critérios claros para avaliar desempenho e potencial

Porque potencial não é algo absoluto, ele também depende do ambiente em que a pessoa está inserida.

Dessa forma, a mesma profissional pode apresentar dificuldades em um cenário e gerar resultados consistentes em outro.

Gestão de Pessoas exige decisões mais profundas

Antes de decidir por um desligamento, existe uma pergunta que deveria fazer parte da análise:

Essa pessoa está no lugar certo para o tipo de potencial que possui?

No caso que compartilhei, testar um novo cenário mudou completamente a leitura sobre aquela profissional. O que antes parecia um problema de performance revelou-se um problema de alocação.

Como resultado, esse tipo de análise, quando bem conduzido, pode não apenas evitar desligamentos desnecessários, mas também potencializar resultados.

A liderança tem um papel fundamental nesse processo, porque liderar não é apenas avaliar entregas. É compreender potencial, cenário e direcionar as pessoas da equipe.

E isso exige:

  • Mais critério nas decisões
  • Mais profundidade na análise
  • Menos pressa em concluir
  • Mais responsabilidade sobre o impacto das escolhas

Porque decisões sobre pessoas não são apenas operacionais, são estratégicas.

Nem todo problema de performance exige substituição.

Mas isso só fica claro quando estamos dispostos a olhar além do resultado imediato, porque, no fim, a pergunta não é apenas sobre a pessoa.

É também sobre a qualidade da decisão que estamos tomando sobre ela.

Decisões assim não impactam apenas um resultado momentâneo.

Elas impactam cultura, confiança e o futuro da equipe.

Antes de concluir que alguém não performa, vale revisar se a empresa realmente ofereceu a essa pessoa o cenário adequado para demonstrar seu potencial

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Fernanda Santos

Fernanda Santos é especialista em Gestão de Pessoas, com mais de 13 anos de experiência e atuação em projetos por todo o Brasil. CEO e fundadora da Infinit RH, apoia empresas na estruturação de processos estratégicos, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional, unindo estratégia, gestão humanizada e resultados sustentáveis.

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